A idade de tudo

Johnny Marr lança seu quinto álbum solo, com e sem saudosismo.

Em texto recente, eu comentei que Tony Iommi não precisa provar nada a ninguém. O mesmo pode ser dito em relação a Johnny Marr, mesmo estando ambos em momentos e segmentos diferentes em suas carreiras.

O que os une, além de tocarem o mesmo instrumento, é a “assinatura” que ambos têm ao longo de suas vidas profissionais, e vamos combinar: você não pode pedir a um deles que de uma hora para outra mude totalmente o modo de tocar. Quem é que quer ouvir um Tony Iommi sem ser pelos seus riffs que moldaram o heavy metal?

Dito isso, você pode imaginar que Johnny Marr esteja se repetindo, ao dar play em The Age Of Everything, seu quinto álbum solo, onde se vê o guitarrista cada vez mais à vontade acumulando também a função de cantor, algo que talvez ele tenha demorado a experimentar, mas que desde então o faz ter uma relevância talvez até maior do que seu antigo parceiro de banda.

Pode até ser que, ao ouvir o álbum, o fã de The Smiths sinta saudade de uma época em que Morrissey era somente chato, mas que compunha suas letras sagazes. Mas se não há aqui todo aquele lirismo, é verdade também que isso não chega a fazer falta, já que as melodias e harmonias de Marr compensam todo o trabalho.

Aliás, em The Age of Everything é nítida a intenção e a despreocupação de Johnny Marr em soar como sua antiga banda. Desde a abertura, com Spin, é fácil imaginar que poderiam ser canções dos Smiths se houvesse chance de o passado voltar (não há), e em It’s Time é muito fácil de se notar que a ideia era remeter a Some Girls Are Bigger Than Others.

Para o som ficar ainda melhor, só mesmo se Marr contasse com o saudoso baixista Andy Rourke, ex-Smiths falecido em 2023, talvez um dos únicos comparáveis ao guitarrista em termos de proficiência para este tipo de sonoridade. Mas a vida tem dessas coisas.

Ouça: