
Quando eu era criança, pegava os encartes dos discos de vinil Live After Death do Iron Maiden, Kiss Alive e Made in Japan do Deep Purple e ficava imaginando qual seria o sentimento de ouvir um disco de um show que você esteve. Mesmo tendo uma carreira como frequentador de shows há muitos anos e, sem humildade nenhuma, consegui ver 99% dos shows que sempre sonhei, nunca tinha ido num show que virou disco ou “DVD” (Bluray).
Mas tudo mudou no dia 17 de outubro quando saiu o disco The Luck and Strange Concerts do David Gilmour. Mesmo o disco não esclarecendo 100% onde foi gravado cada uma das 23 faixas do show, tenho certeza que pelo menos algumas músicas eu vivi ao viváço. A Tour do David Gilmour passou por pouquíssimos lugares. Londres, Roma, New York e Los Angeles. Cada uma das cidades rolou alguns dias de shows. Eu consegui ir no segundo dia em Roma.
Misturando um pouco da sua carreira solo, novo disco e clássicos do Pink Floyd, o show foi perfeito. Pra quem é time Gilmour e fã de The Division Bell, é um show perfeito. O Roger Waters por outro lado faz um show muito mais espetáculo do que o Gilmour. O show do Gilmour é uma bandáça tocando e um telão no fundo. É simples, mas mágico do mesmo jeito.
O set list é uma mistura de músicas do novo disco como Black Cat, Luck and Strange, The Piper’s Call e a belíssima Between Two Points, com a participação da filha do David Gilmour, a Romany Gilmour, cantando lindamente com uma voz super fofa.
Entre os clássicos do Pink Floyd ainda da era Roger Waters, temos Breathe (In The Air), Time, Wish You Were Here e Comfortably Numb fechando o show com o solo mais épico da história. Pelo menos no show que fui, nessa hora, todo mundo levantou das suas cadeiras marcadas e foi o mais pra frente possível pra ver um pouco mais de perto um dos maiores solos do Rock sendo tocado ao vivo. Foi surreal.
Da fase Pink Floyd sem o Roger Waters, rolou a maravilhosa Sorrow, A Great Day For Freedom, Marooned e a épica High Hopes. Essa eu sei que não foi gravada no meu show, já que na hora do solo a guitarra do Gilmour falhou e a banda continuou tocando em loop o pré-solo até que tudo estivesse bem pra acontecer aquele solo lindo.
E pra felicidade pessoal, ele tocou minha música favorita do Pink Floyd, Coming Back To Life. Talvez uma das músicas que mais ouvi na vida. Aquela versão do The Division Bell e do PULSE que tanto tocou nos meus ouvidos, agora estava ali no ar ao vivo pra mim e, sendo ou não a versão do show que fui, vou acreditar que foi. Ouvir esse disco e essa música será como uma viagem no tempo. Que vai me levar para Roma e para os meus 14 anos de idade descobrindo essa música quando o The Division Bell saiu e fui comprar o CD no dia do lançamento.
The Luck and Strange Concerts do David Gilmour é um disco ao vivo primoroso. Claro que racionalmente não será um disco ao vivo com o gigantismo de Live at Leeds do The Who ou o Folsom Prison do Johnny Cash, mas pra mim, pessoalmente, esse será um disco eterno, enquanto estiver aqui na terra. Um disco que vou poder ouvir e pensar: “nem acredito que estava lá na hora dessa gravação”.
Faixas
- 5 A.M.
- Black Cat
- Luck and Strange
- Breathe (In The Air)
- Time
- Fat Old Sun
- Marooned
- A Single Spark
- Wish You Were Here
- Vita Brevis
- Between Two Points (with Romany Gilmour)
- High Hopes
- Sorrow
- The Piper’s Call
- A Great Day For Freedom
- In Any Tongue
- The Great Gig In The Sky
- A Boat Lies Waiting
- Coming Back To Life
- Dark and Velvet Nights
- Sings
- Scattered
- Comfortably Numb
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