The Bestiary do Castle Rat é a fantasia e a irreverência que o Heavy Metal precisa

Místico, teatral e poderoso, The Bestiary do Castle Rat transforma o metal em uma viagem entre espadas, feitiçaria e a fantasia das HQs Heavy Metal.

Uma das coisas que fazem parte do Heavy Metal e que algumas pessoas parecem não entender é que a pedra fundamental do gênero está baseada na ideia de que é uma música para todo mundo. O Metal em si não é excludente, mas muitos fãs não entendem isso. É um clubismo pra cá e outro clubismo pra lá. “O meu metal é mais pesado que o seu”, alguns dizem. É normal ser quem você quiser ser. Ouvir o que você quiser ouvir e gostar do que você quiser gostar.

Essa parte boa do Heavy Metal eu sinto falta. As caixas de comentários em certos sites tradicionais de Rock e Metal são um compilado de chorume, pedantismo e manuais de instrução sobre o que é realmente bom ou o que se pode ouvir. Bandas com mulheres primeiramente viram matérias com a lista das 10 guitarristas mais bonitas do metal. Depois vem post falando da banda com um ar de “até que elas tocam direitinho, podem ouvir, está liberado”.

Mas ainda bem que isso já não é mais maioria. Temos que parar de ouvir e dar palco para gente chata. Música você gosta ou não gosta. Não é competição. Música é arte, é pertencimento, é expressão, é teatro, drama, dor, gritos e também irreverência. Não se levar a sério é uma das coisas que mais gosto em certas bandas. É uma provocação precisa e ácida. Uma nova banda que tem isso tudo é o Castle Rat.

O Castle Rat é uma banda de fantasy doom metal de Nova York, liderada pela The Rat Queen (Riley Pinkerton) na guitarra e no vocal. Segundo a própria banda, em sua missão de expandir e defender “O Reino” dos ratos contra seus inimigos, a The Rat Queen conta com a companhia do The Count na guitarra, do The Plague Doctor no baixo e do The All-Seeing Druid na bateria. Juntos, eles enfrentam a ira da própria Morte. O Reino do Castle Rat foi feito para quem quer ver espadas e feitiçaria. Um som stoner e doom, meio Rainbow e Black Sabbath.

O primeiro disco da banda, lançado em 2024, é excelente. Um discaço de estreia que chamou bastante atenção no meio. Agora em 2025, no dia 19 de setembro, eles lançam seu segundo álbum em meio a uma tour em inúmeros países e cidades. Em The Bestiary, a banda dá um passo à frente. Enquanto Into The Realm de 2024 é um disco mais direto e inspirado nos deuses do Metal Black Sabbath, The Bestiary é mais autoral.

O Castle Rat é praticamente a personificação sonora do sentimento e do clima das lendárias revistas em quadrinhos Heavy Metal. Seria a trilha perfeita dos filmes do Conan. É quase uma viagem no tempo para a Birmingham dos anos 70. É praticamente um bebê que acabou de nascer e todo mundo fala, “bem-vindo de volta, Black Sabbath”.

The Bestiary é um disco épico, irreverente e divertido. Riley Pinkerton incorpora a Rat Queen maravilhosamente em suas interpretações vocais. A banda é muito precisa e criativa. A produção do disco é impecável e traz todo o clima da banda nesse registro.

A lista de músicas é uma arte à parte. Phoenix, Wolf, Wizard, Dragon, Crystal Cave e Serpent. Cada uma com suas nuances e particularidades. Umas mais rápidas e outras mais arrastadas. É um disco que flui muito bem e não cansa, mesmo com 13 faixas. Quando acaba, você já quer ouvir novamente. Meu destaque do disco é Dragon.

O Castle Rat dá um recado para o chorume. É uma banda sem clubismo, sem necessidade de validação. É uma banda com irreverência. É divertida e ao mesmo tempo, pesada. O Heavy Metal que eu gosto e entendo como ideia está em muitas boas mãos. 

Vou escrever aqui o que falei diretamente para a banda quando os conheci no show em Helsinki, na Finlândia: “É uma banda que só precisa ser ouvida, porque é muito fácil de amar”.

Foto que tirei com a banda depois do show em Helsinki.

Faixas

  1. Phoenix I – 2:15
  2. Wolf I – 4:37
  3. Wizard – 4:57
  4. Siren – 3:41
  5. Unicorn – 6:30
  6. Path of Moss – 1:34
  7. Crystal Cave – 4:55
  8. Serpent – 3:21
  9. Wolf II – 3:20
  10. Dragon – 3:19
  11. Summoning Spell – 2:37
  12. Sun Song – 6:12
  13. Phoenix II – 1:17

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