
Depois de quatro anos de serviços militares e discos/projetos solos de seus integrantes, o BTS está oficialmente de volta. RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jungkook foram sendo dispensados um a um e logo depois já estavam em Los Angeles escrevendo e gravando o que seria ARIRANG.
O título não é aleatório. ARIRANG é uma música folclórica coreana com símbolo de saudade, resistência e reunião de um povo. Ao dar esse nome a esse aguardado disco, o BTS faz uma declaração antes mesmo da primeira nota tocar.
Antes mesmo de apertar o play, ARIRANG já diz muita coisa. A capa traz os sete integrantes de terno em uma linguagem que moderniza as poses das fotos do passado. Não é só estética. A direção de arte cria uma linha do tempo com história. Em 1896, estudantes coreanos, chamados de “Howard Seven”, foram para os EUA e tiveram a primeira gravação de música coreana. Agora são sete artistas em 2026 carregando essa mesma cultura para o mundo.

Essa história dos estudantes, pra mim, é o coração conceitual do disco. O trailer animado do disco mostra esse episódio e faz uma homenagem excelente. Eram sete no passado e são sete hoje. O palco de um show de agora funciona como um espelho do passado. São vozes coreanas gravadas e amplificadas para uma audiência além das fronteiras da Coreia do Sul.
O álbum abre com “Body to Body”, uma declaração sobre o poder e a energia de um show com fãs. É um manifesto de reencontro. A batida vai mudando do eletrônico para a batida acústica e o BTS mostra o que veio antes sem perder a modernidade. É exatamente o que o disco faz do começo ao fim.
A primeira metade do disco é a mais pesada e mais focada em hip-hop. “Hooligan” experimenta com precisão os flows que lembram que antes do K-pop global, o BTS era um grupo de rap de garagem em Seul. Já “FYA” vai na direção oposta. É club puro, dançante, feito pra pista. Nessa versatilidade, o grupo mostra que os anos solo de cada integrante, não separaram a identidade coletiva, somaram e expandiram o som. Ter 7 pessoas e mais produtores conseguindo fazer o que eles fazem é quase um milagre coletivo.
O single principal do disco, “SWIM” tem sentimento Lo-fi, é calma e quase um sussurro. A letra usa o mar como metáfora dessa viagem de seguir o próprio ritmo. Depois de quase quatro anos de espera, é um presente certeiro pra ARMY, civis e semi-civis como eu.
“No. 29” é o interlúdio do disco e talvez a jogada mais ousada de todo disco. Um minuto e 38 segundos do soar de um sino, mas não é qualquer sino. O Sino Divino do Rei Seongdeok, também conhecido como Sino de Emille, é um dos artefatos históricos mais conhecidos da Coreia. É uma faixa sem letra, sem beat, sem nenhum dos sete. Só o sino. Pra quem deu play sem fone ou com volume baixo, provavelmente achou que era uma música vazia, mas não é. Em um disco que colaborações com Diplo, Tame Impala, Mike WiLL Made-It, entre outros, colocar isso bem no meio é sensacional.
A segunda metade do álbum respira. “Merry Go Round” tem influências de rock e uma melancolia de quem está tentando escapar de uma rotina pesada. “Like Animals” é camisa de flanela do grunge sendo figurino novo no K-pop. E fechando o disco, “Into the Sun”, é um indie folk com harmonias de voz que mostram os motivos do BTS ser talvez a maior boyband da história desde os Backstreet Boys.
O que o BTS fez em ARIRANG é difícil de descrever. Demorei a digerir o disco e com certeza essa resenha seria completamente diferente se eu escrevesse em um ou dois meses. É mas fácil de sentir. O grupo manteve o DNA do K-pop que fez o grupo gigantesco, mas ao mesmo tempo absorveram a grandiosidade dos seus próprios gostos e experimentações de seus projetos solo e fizeram um grande álbum. Pra ouvir do começo ao fim sem pular faixa. Um disco pra ignorar playlists de aleatórios. Faz mais sentido do jeito e na ordem que foi feito.
A música é uma das artes mais bonitas do mundo por vários motivos. A música é universal e ultrapassa todas as fronteiras das línguas do mundo. O BTS sempre soube disso. ARIRANG é a prova mais bonita que eles já deram. Até agora.
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