
Oasis é uma banda que divide opiniões, mas no fim, os fãs só querem curtir. Mesmo com as tretas infinitas da banda com suas rivalidades na música e as internas, com os irmãos Caim e Abel de Manchester, na hora das músicas só se fala de amor, rock and roll, cigarros e álcool.
Nunca tinha assistido a um show enorme em terras da Grã-Bretanha, então esperava o caos com os bêbados e brigas de pub como público principal, principalmente num show do Oasis. Mas o que encontrei foi good vibes e gente emocionada. Tinha famílias, amigos, jovens, 50+ e tudo mais que você possa imaginar. Até uma cena fofa de uma moça ligando pro pai pra ele ouvir uma música específica. Ninguém queria estragar essa volta da banda. Os memes de shows cancelados são uma realidade. Até quando o clima de amizade entre Liam e Noel vai durar? Na dúvida, melhor aproveitar aquele show como talvez seja o último.
O show aconteceu no Scottish Gas Murrayfield Stadium, na lindíssima cidade de Edimburgo, com 80 mil pessoas. Na pista, só foram vendidos ingressos gerais, mas num desses rumores que viram confirmações em threads do Reddit, descobrimos que eles estavam dando cerca de 4 mil pulseiras pra parte da frente da pista. Bastava chegar cedo. Então fomos eu e amigos (obrigado André, Natália e Marcela pela grande noite) pra essa fila num calor que, pro Brasil, seria como uma tarde de primavera, mas, pro contexto europeu, parecia mais com Bangu no Rio de Janeiro. Fritamos na fila de 3:30 às 5 da tarde, conseguimos as pulseirinhas! Grande lance!
Diferente do Brasil, na Europa é bem comum os lugares ficarem cheios, mas todo mundo dá um espaço entre si, então não tem pele suada encostando em pele suada. A única coisa que tem é cerveja voando pra todo lado. Tomei uns três banhos. Ainda bem que não era outra coisa. Então tá tudo sussa.
O show começa com a frase no telão “this is not a drill”, isso não é um ensaio. Aí o show começa com “Fuckin’ in the Bushes” tocando e várias montagens de matérias diversas com a possível volta do Oasis e coisas do tipo, a internet vai cair. De repente, essas colagens viram a frase “isso está acontecendo” e entra a banda com os irmãos de mãos dadas, saudando o público. Depois de todo mundo enlouquecer, Noel pega a guitarra e começa Hello. A emoção já tomou conta do estádio com a mensagem da música “é muito bom estar de volta”. Hello, Hello, It’s good to be back.
O show segue com um set list que é praticamente um storytelling. Começa com um Olá (Hello), segue com Acquiesce e Morning Glory. O clima de dias mais longos na Europa ajuda a casar esse conceito. O show segue agitado com grandes clássicos como Cigarettes & Alcohol, Supersonic e Roll With It enquanto ainda temos luz do dia. Quando o sol baixa, a banda baixa a velocidade e temos Talk Tonight e Half the World Away com Noel tomando a frente. Depois, o show tem a sequência mais bonita pra mim, Stand by Me, Cast No Shadow e Slide Away. Nessa hora minha voz foi de arrasta.
Segue mais um pouco e ainda testemunhamos Live Forever e Rock n Roll Star fechando a primeira parte do show naquela despedida sabendo que iriam voltar. Ainda faltava coisa. Na volta do bis, The Masterplan, uma das maiores obras da banda, Don’t Look Back in Anger com 80 mil pessoas cantando cada frase como se sua vida dependesse disso e logo depois Wonderwall. Confesso que tenho um pouco de preguiça de Wonderwall por ter tocado demais, mas, quase 15 anos sem ouvir esse hino, a música bateu legal. Foi como assistir a história da música que mais explodiu a banda pro mundo pela primeira vez. Uma viagem no tempo. E fechando, com direito a fogos de artifício no final, Champagne Supernova. Essa bate legal no coração.

Tecnicamente, a banda é implacável. Paul “Bonehead” Arthurs, o rei de Manchester é excelente. Gem Archer na guitarra e Andy Bell no baixo, ajudam demais na cozinha das músicas dando uma base forte. Joey Waronker na bateria segura bem as levadas e não altera nenhum das viradas famosas das músicas. O cara é profissa demais, já tocou com meio mundo, incluindo Beck, R.E.M. e Roger Waters.
Tenho apenas dois pequenos comentários. Achei as guitarras um pouco baixas, esperava mais barulheira e algumas detalhes de arranjos das músicas passaram batido em algumas músicas, mas nada que comprometa. Talvez por ter ouvido essas músicas em estúdio tantas vezes, esperava versões mais fiéis, ainda mais com três guitarras no palco. Mas tudo certo!
Uma grande surpresa positiva pra mim é que o Liam aprendeu a cantar. Não que ele tenha se tornado um cantor primoroso, mas ele tá afinadíssimo e cheio de energia. Ele coloca alguns charmes no jeito de cantar em algumas músicas e tudo de muito bom gosto.
O grande aprendizado nesse show do Oasis é que uma banda grandiosa, com inúmeros hits e músicas inesquecíveis, fará qualquer show um show “Fucking Biblical”, como mesmo disse o Noel no final de Don’t Look Back in Anger, com o estádio todo cantando “But don’t look back in anger, I heard you say” num coro magistral a cappella. Se puderem ir no show dessa tour, se preparem pra muitas emoções.
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