
Desde Heliophilia, seu debute não tão ensolarado quando o folk californiano de seu próximo lançamento, Niina Soleil já espalhava uma presença transcendental pela cena cena indie de Los Angeles. Sua música carrega uma estética cinematográfica e nostálgica e, mesmo no material de 2024, já era possível sentir que o caminho escolhido pela cantora acabaria passando por ruas descoloridas em soul vintage e aquele glamour envelhecido de Hollywood.
Causa surpresa que o universo não esteja colapsando com o teaser de três minutos e vinte segundos lançado no canal do Youtube de Niina, onde apenas inexplicáveis sete mil e poucas pessoas visualizaram a essência do disco que virá. Tirando Copa do Mundo, escândalos de bancos privados e postulantes à presidência da República, nada deveria ser mais importante do que a guitarra reverberada, a ambiência quente, o vocal sussurrado e as memórias de verão que Niina traz só de existir.
Mesmo saindo em turnês e alcançando algum tímido destaque na mídia nichada, a srta. Soleil ocupa um lugar misterioso na cena artística, o que contrasta com seus milhões de reproduções nos streamings — ainda que potencialmente duvidosos (não por ela, mas pela reputação das plataformas). Honestamente, alguém que ousa criar algo contemporâneo bebendo nas águas potáveis de Mazzy Star, Weyes Blood, The Mamas & The Papas e Nancy Sinatra obriga a atenção num primeiro momento e encantamento num segundo.
Mais do que Lana Del Rey, Joni Mitchell e até Ariel Pink, Niina Soleil se descola das comparações confortáveis e promove uma imersão natural em um universo que, se não existe mais pelo tempo, pode ser reproduzido com a fidelidade sem filtros dos filmes em 16mm.
Experimentem “Welcome to the Dream”, “Ramblin'” e a recente e deliciosa “Life&Times of a Wannabe Rockstar”.
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