
De projetos paralelos a projetos paralelos, os anjos decidiram parar de chorar e se encontrarem no mesmo palco. Conflitos por direitos autorais, desavenças por protagonismo de praticável de bateria, guerras por importância de arranjos, refluxos em eventos gigantes, incorporação de membros não brasileiros e uma enxurrada de formações tocando e superexpondo o repertório da banda são alguns dos pontos que nos trazem à nova Nova Era do grupo.
Talvez a impossibilidade de fazer isso com André tenha sido uma lição silenciosa que ecoou no coração da diretoria criativa da empresa e de seus antigos colaboradores. Os bem-sucedidos trabalhos do Edu tocando discos clássicos ao vivo também podem ter sido levados em consideração. A recepção positiva dos intermináveis shows do Shamangra e as apresentações de Kiko Loureiro com Bruno e Felipe corroboram essa inclinação por tudo o que envolve o legado.
Para uma celebração, a interrupção do hiato (recentíssimo) em que o grupo se encontra é compreensível. Porém, a sequência de anúncios enfileirados mostra que os ciclos da dor podem ter mais um giro no Angraverso. Afinal, comemorar não necessariamente significa diminuir espaços no palco e a saída de Lione após o melhor disco da banda como vocalista é impactante — ainda que alguns fãs comemorem. E depois, sem dar tempo de se cogitar a permanência de Edu nessa reviravolta, Alírio Neto surge como nova voz e torna tudo ainda mais curioso.
As credenciais do catarinense são incontestáveis, tendo substituído o próprio André Matos no Shaman com disco de estúdio e apresentações emocionantes. Mas e aí? A pausa se encerra? A reunião do Bangers vira uma turnê sem data pra terminar? Entra todo mundo no estúdio e se cria tudo o que se esperava do Aurora Consurgens?
Nem tudo precisa renascer sempre, às vezes as coisas só precisam continuar de onde pararam com o melhor de cada um em cada capítulo. O Helloween fez isso com Deris e Kiske. O Angra poderia fazer com Lione e Edu.
E Aquiles. E Kiko. E Confessori. E Mariutti. E Laguna.
E por aí vai.
Como disse o maestro: Carry On.
Resta saber pra onde.



