Esse ano resolvemos dividir nossa lista em 4 posts individuais de cada um dos integrantes do Silêncio no Estúdio. Esse é o primeiro post e cada um dos integrantes vai trazer suas experiências e contextos. O que não vai faltar é paixão, curadoria e versatilidade.
Um ano de conexões.
Acho que 2025 demorou pra engatar a última marcha pra deslanchar na qualidade dos seus lançamentos. Alguns acontecimentos viraram conversas de bar e rodinhas de amigos e grupos de WhatsApp. Alguns discos aclamados tiveram debates polarizados e vi pouquíssimas coisas tendo certo nível de unanimidade, mas certamente alguns chamaram a atenção como Geese e Bad Bunny.
Acredito que listas, pelo menos as que eu faço, precisam ter uma mistura de alguns fatores. O primeiro é o emocional. Se não for pra ser clubista, pra mim não serve. Já na parte racional, gosto de pensar nos contextos. Lembrando de 2025, qual o disco que irei lembrar logo de cara?
E tem uma parte que pra mim é super importante em uma lista. Quais discos colocarei aqui na minha lista que pouca gente ouviu, ou passou batido, que vale a pena colocar? Juntando esses 3 critérios, cheguei na minha lista, mas gostaria de citar algumas menções honrosas:
Avery Friedman – New Thing, caroline – caroline 2, Castle Rat – The Bestiary, Paradise Lost – Ascension, Rocket – R is for Rocket, Lambrini Girls – Who Let The Dogs Out, jasmine.4.t – You Are the Morning, Horsegirl – Phonetics On and On, Saya Gray – SAYA, Agriculture – The Spiritual Sound e Dream Theater – Parasomnia.
TOP 20
20. Victoria Canal – Slowly, It Dawns

O álbum de estreia da cantora Victoria Canal é uma jornada emocional que mistura folk, soul e pop alternativo. O disco funciona como a jornada de uma noite especial, começando com o clima leve e apaixonado de “June Baby” e “California Sober”, passando pela reflexão melancólica de “Totally Fucking Fine” e “Vauxhall”, até chegar ao desfecho emocionante com “Black Swan” e a linda maravilhosa “Swan Song” (uma das músicas que mais ouvi no ano).

Justin Vernon entrega um dos trabalhos mais belos e diretos de sua carreira, provando que consegue emocionar mesmo após deixar para trás a melancolia que o definiu. Há elementos que remetem a álbuns anteriores da carreira como “For Emma”, mas agora com produção mais cristalina e temas de esperança e amor.

A banda da Carolina do Norte veio com mais um incrível e mais essencial disco, misturando shoegaze, country alternativo e indie rock sulista com letras afiadas e diretas como se estivesse criando a sua própria versão de Nebraska do Bruce Springsteen no contexto da própria banda. É um disco sobre a vida real e histórias não contadas.
17. Bob Mould – Here We Go Crazy

Aos 64 anos, a lenda Bob Mould lançou mais um disco solo com a energia de quem ainda tem muito a dizer. Acompanhado pela sua sólida formação de power trio, o disco revisita o som punk/pop de Sugar e Hüsker Dü com produção cristalina e melodias irresistíveis. Foi um privilégio ter visto o Bob Mould ao vivo esse ano tocando a maravilhosa Here We Go Crazy.
16. Manic Street Preachers – Critical Thinking

Os veteranos galeses provam que ainda têm muito a dizer sobre o mundo moderno. Músicas cheias de energia e otimistas carregando letras de raiva, ceticismo e análise crítica da sociedade. Being Baptised é uma das faixas que mais gostei no ano e ficou tocando em loop durante todo 2025 nos meus fones e no meu toca disco.
15. Coheed and Cambria – Vaxis: Act III: The Father of Make Believe

Minha bandinha do coração sempre entrega. O disco mistura elementos de álbuns anteriores como Year of the Black Rainbow e The Afterman. O disco tem ótimos hits como “Yesterday’s Lost”, “Searching for Tomorrow” e a super grudenta que ouvi por dias, “Someone Who Can”.
14. Clipse – Let God Sort Em Out

Depois de anos separados, os irmãos Pusha T e No Malice voltam e a química continua perfeita nesse duo lendário do Hip Hop. O disco abre com “The Birds Don’t Sing”, uma homenagem aos pais que já se foram. Depois o disco mostra o Clipse clássico que fez a dupla virar uma lenda em músicas como “Chains & Whips” (com Kendrick Lamar) e “So Be It”.

Em seu segundo disco, a dupla Rhian Teasdale e Hester Chambers se consolida como uma das grandes bandas do rock alternativo atual, misturando influências de Blondie, Pixies e Sonic Youth com personalidade própria. O álbum mistura o sarcasmo punk de “CPR” (“isso é amor ou suicídio?”), com o indie de “Liquidize”, e o hit “Pokemon”. Cheio de texturas e atitude sem perder o humor ácido e a vulnerabilidade, Moisturizer confirma que as mulheres não só salvaram o rock como estão levando ele para outros lugares.

Lady Gaga chegou em 2025 com um disco caótico no melhor sentido, misturando grunge-industrial dos anos 90 à la Nine Inch Nails com funk de Nile Rodgers e new wave da Blondie. Depois dos já conhecidos hits “Disease” e “Abracadabra” (clássico instantâneo), o álbum brilha em momentos como “Killah” (com groove e guitarra digna de Prince), “Zombieboy” (eletrônico francês com solo de guitarra moendo) e “LoveDrug” (pura era Chromatica). A reta final parece mais um apanhado de singles do que um álbum coeso, incluindo a parceria com Bruno Mars em “Die With a Smile”, mas isso não tira a grandiosidade do lançamento.

Com 24 integrantes em perfeita sintonia, o grupo de K-Pop entrega um dos álbuns mais divertidos de 2025. O disco explora temas sonoros cheios de harmonia e frescor, misturando electro-pop futurista em “Are You Alive”, groove misterioso de big band jazz em “Detective Soseol”, drum’n’bass modernizado em “Too Hot” (que vai grudar na sua cabeça) e fechando com a grandiosa eurodance “Love2Love”. É expansão pop sem aleatoriedade. Cada variação é feita com cuidado, cada integrante tem seu espaço brilhando em cada verso e refrão. Um trabalho cheio de camadas, produção madura e alegria pura que faz você querer ouvir tudo de novo assim que termina

Em seu décimo álbum, o Deftones entrega um trabalho que funciona como soma de todos os fragmentos da sua carreira. Desde a energia crua do Adrenaline, passando pela ousadia de White Pony, até a maturidade de Ohms. O disco se destaca pela brutalidade e produção rica que a banda domina como ninguém, com cada música trazendo contrastes e nuances que mostram um pouquinho de cada fase da banda. Mais do que outro capítulo na jornada do Deftones, é um ponto de reflexão que reafirma a identidade da banda que cria conexão profunda com os ouvintes, mas também carregam seus próprios fragmentos ligados a cada era do Deftones.

A banda londrina faz uma viagem aos anos 70, buscando elementos de Fleetwood Mac, T. Rex, Queen e Kate Bush, mas sem perder a alma indie moderna. O disco é grandioso na dramatização do rock clássico e delicado nas baladas como a final “The Sofa”, e irreverente em momentos como a Queeniana “Bread Butter Tea Sugar”. Com produção polida de Greg Kurstin que mantém a essência da banda, cada faixa melhora a cada audição, seja na explosiva “Bloom Baby Bloom” com seu ótimo riff de piano, ou na maravilhosa e perfeita “Just Two Girls”. É o Wolf Alice mais maduro e corajoso, expandindo seu som de forma não linear e provando que consegue transitar entre épocas com sentimento nostálgico, mas sem ser datado.
8. Stereolab – Instant Holograms on Metal Film

Após 15 anos de silêncio, a banda lendária retorna com um dos seus trabalhos mais fortes e emocionantes . O álbum equilibra o clássico Stereolab com novas texturas. A voz de Laetitia Sadier nunca soou tão rica, enquanto a banda mistura, french pop, krautrock, disco e techno setentista. É Stereolab fazendo o que fazem de melhor. Fazendo música politicamente consciente sem perder a alegria, lembrando que o mundo que queremos já está dentro de nós.
7. Imperial Triumphant – Goldstar

O trio de Nova York lança seu trabalho mais focado e “acessível” (dentro do possível para death metal dissonante com jazz). Transcendendo os rótulos de “jazz-influenced metal/avant-garde”, a banda vem com um novo som que mistura art deco, metal extremo, jazz atonal e influências de música norte-africana e batucada. O álbum explora Nova York como distopia urbana, da abertura atmosférica “Eye of Mars” passando pela explosão chamada “Lexington Delirium” (com Tomas Haake do Meshuggah) até a grandiosa “Pleasuredome” (com Dave Lombardo) e o fechamento pesado “Industry of Misery”. Goldstar equilibra horror e beleza, capturando a energia ao vivo com produção caótica. Talvez o melhor álbum dessa banda extremamente difícil de definir.
6. KEY – Hunter

O integrante do SHINee chegou com seu melhor trabalho solo, um disco retrofuturista que mistura elementos de terror e inovação pop como poucos conseguem fazer. A faixa-título presta homenagem ao “Thriller” com interpolações do groove icônico, enquanto “Trap” soa como Depeche Mode de 1989 e “Strange” que flerta com hard rock/power pop. O álbum brilha em momentos como “Picture Frame” (a melhor do disco), algo que artistas pop dos EUA e UK tentam fazer há anos sem conseguir, o house delicioso “Perfect Error” com Seulgi do Red Velvet, e fecha com a épica “Lavender Love” que tem melodia que pede pra ser ovacionada em um estádio lotado. A voz rouca de KEY, sua versatilidade e personalidade transforma civis em fãs de K-pop.

A banda de Baltimore expande ainda mais a fórmula que furou bolhas em Glow On, adicionando post-rock, shoegaze, synth rock e indie pop ao hardcore. O resultado é um dos discos mais divertidos de 2025, que mistura Bad Brains com Black Sabbath e The Police sem medo de críticas. Do synth pop que vira peso em “Never Enough”, passando pela energética “Sole” (perfeita pra rodinha), a vibe The Police de “I Care”, até a jornada sonora de “Look Out For Me”, os riffs sabbathianos de “Slowdive” e explosiva “Birds”. O disco tem música pra todas as vibes. O Turnstile prova que crescer e misturar estilos não é “se vender”, mas é se libertar. Um disco que celebra a beleza da música moderna sem ficar preso em cartilhas de gênero.

O grupo sul-coreano entrega um dos discos mais ousados e complexos do pop em 2025, provando que inovação no mainstream ainda é possível. Blue Valentine é daqueles álbuns que exigem tempo pra se revelar completamente. A cada audição você descobre novas camadas, desde a mudança de tempo aos 40 segundos da faixa de abertura até o beat pesado quase Nine Inch Nails de “Reality Hurts”. O disco transita entre R&B cheio de camadas em “SPINNIN’ ON IT”, jazz que vira beat sincopado em “Phoenix”, reggaeton em “RICO”, pop rock italiano em “ADORE U” e até hard rock em “OO. Pt. 2 (Superhero)”. Depois de fechar a trilogia Fe₃O₄ e lançar “MEXE” com Pabllo Vittar, o NMIXX estica a corda da criatividade pop e consolida seu futuro legado. Uma hora as pessoas vão cansar do pop genérico, assim como cansaram dos telefones com botão.
3. Sleep Token – Even In Arcadia

A banda mascarada veio com um disco que expande ainda mais sua fusão de neo-soul, R&B, pop alternativo e metal moderno, brincando com várias músicas dentro de cada faixa. O álbum transita entre atmosferas Radiohead em “Look to Windward”, ousadia com solo de saxofone Kenny G em “Emergence”, suavidade reggaeton em “Caramel” e peso progressivo na épica final “Infinite Baths”. Produzido por Carl Bown e com engenharia de Adam “Nolly” Getgood (ex-Periphery), o disco mostra que Sleep Token não esconde seus segredos criativos, apenas só os rostos. É música que não se importa em ser rotulada, talvez pop demais pro metaleiro e pesada demais pra quem escuta pop, mas tudo pode ser apreciado de maneiras diferentes. Dá pra amar todas as sub-músicas que cada música tem, e ainda bem que é assim.
2. The Armed – The Future Is Here and Everything Needs to Be Destroyed

O coletivo anônimo de punk e hardcore de Detroit chegou com mais um disco feito no instinto puro, sem conceito ou plano, mas deu absurdamente certo. Depois da trilogia que começou com Only Love (2018), passou pelo excelente ULTRAPOP (2021) e fechou com Perfect Saviors (2023), a banda volta com senso de urgência, raiva e acidez. O álbum começa com pancada na cara e barulheira que em 30 segundos já te diz se foi feito pra você ou não. É tiro, porrada e bomba em sequência, com uma pequena pausa pra descanso meio Red Hot em “Sharp Teeth” antes da loucura voltar com tudo. “Local Millionaire” se destaca com peso, personalidade e atitude incrível. Com músicos de Queens of the Stone Age, Converge e outros se revezando, é um disco pra ouvir sem planejar demais, assim como foi feito. No coletivo e à moda caralho, provando que juntar os parças sem ideia do que fazer pode dar muito certo.
1. Hayley Williams – Ego Death At A Bachelorette Party

A vocalista do Paramore é a loirinha que entregou o melhor disco do ano pra mim. Veio com seu trabalho solo mais forte e corajoso, um álbum independente que mistura pop experimental, grunge, R&B alternativo e rock com letras brutalmente honestas sobre trauma, amor, perda, racismo e ego. Lançado inicialmente de forma não convencional em seu site (e streamings) como 17 faixas separadas para os fãs montarem sua própria ordem. O disco explora desde a lindíssima “Dream Girl in Shibuya” e a paulada na cara dos racistas em “Ego Death at a Bachelorette Party” onde ela fala: “I’ll be the biggest star at this racist country singer’s bar”, que ela afirma ser pro cantor Morgan Wallen.
A Hayley nunca soou tão certa ou livre. Ela fala de Identidade, saúde mental sem rodeios, e ironia social. É um disco que mostra alternância entre o confessionário cru e o sarcástico observador. Sua voz transita de doce e inocente ao puro ódio do rock, provando que é uma artista completíssima. É um mergulho cru e visceral em sua vida pública, relacionamentos e depressão. Sua libertação de gravadora major, a consolida como uma das maiores compositoras dos últimos 15 anos e prova que ela tem muito mais a dizer mesmo longe do Paramore. Pura perfeição. Disco 10/10 do ano. Certamente quando pensar em 2025, esse será o disco que vou lembrar pra sempre. Obra prima.
Top 10 Nacionais
01. Maré Tardia – Sem Diversão pra Mim

A banda capixaba lançou um dos discos mais divertidos e irreverentes do rock nacional em 2025, misturando a velocidade das guitarras de Johnny Ramone com o surf music de Dick Dale, pitadas de Television, Plebe Rude e post-punk moleque. Produzido por Alexandre Capilé (Sugar Kane) no Estúdio Costella em São Paulo, o álbum vai de “Leviatã” com timbre colossal, passa pelo reverb ácido de “Já Sei Bem”, pelo hit “Nadavai” (cara e sabor de clássico), até a ousada “Ian Curtis” e a belíssima barulheira shoegaze de “Não Se Vá”. O disco fecha com a sexy e malemolente “Nunca Mais”, que tem clima de French pop e energia de Monza dos anos 90 com cinzeiro cheio. É renovação pura. Acidez, distorção, molecagem e aquele rock rocado que faz sucesso nas festinhas alternativas. O rock nacional vive e está muito feliz!



05. Skive – Symbolic Metamorphosis


07. Antropoceno – Natureza Morta




TOP 10 K-POP
Além dos 3 destaques no meu Top 20, resolvi criar um Top 10 bônus dos melhores discos e EPs de K-Pop de 2025.

02. Yerin Baek – Flash and Core

03. MINNIE – HER

04. YEJI – Air

05. CHUU – Only Cry in the Rain


07. CHAEYOUNG – LIL FANTASY vol.1

08. TWICE – TEN: The Story Goes On

09. TOMORROW X TOGETHER – Starkissed

10. Onew – Percent




