
Conhecer como as peças criativas do quebra-cabeça musical funcionam separadamente dá um significado ainda maior aos clássicos que aprendemos a amar. Assim é o sr. Sambora, quando não estava dividindo a caneta com Jon no famoso grupo de New Jersey, sem precisar colocar limites nas próprias ideias para se encaixar em pensamentos maiores.
Por falar em Bon Jovi, após o These Days, os integrantes decidiram dar aquele tempo estratégico para não saírem em luta corporal uns com os outros. No caso de Richie, ele saiu lançando disco, o sucessor de Stranger In This Town. Quem já adorava essa primeira aventura do guitarrista espremendo o suco do Hard Rock com blues percebeu um movimento mais abrangente no ponto de vista sonoro. Undiscovered Soul não foca tanto na virtuosidade de Richie nas seis cordas e prefere entregar aquele sentimento que restou antes dos anos 2000, quando ainda era possível se dedicar ao que se ouvia sem perder a atenção para outras modernidades digitais.
O produtor Don Was foi o responsável por esse capítulo mais acessível de Richie, levando para o estúdio um pouco de seus trabalhos com Bob Dylan, Stones e John Mayer. Se houve vesse mais esforço de divulgação, o álbum teria penetração fácil na esfera comercial, o que faria “Hard Times Come Easy”, por exemplo, ser o hino antes de “It’s My Life”. Nessa época, tudo o que o ouvinte médio queria era ter uma mistura de Wallflowers com Matchbox Twenty entre pinceladas dosadas de blues, era a beleza do fim dos anos 90 que fica cada vez mais incrível sempre que revisitamos o olhar VHS para o mundo.
Se as pessoas olhassem para Undiscovered Soul com a mesma boa vontade que olharam para Destination Anywhere, talvez a volta do Bon Jovi em 2000 demorasse um pouco mais, pois Richie estaria ocupado excursionando com seus próprios sucessos. É o típico disco solo que bandas grandes da época gostariam muito de gravar e depois passarem o resto de suas carreiras celebrando o aniversário do álbum.
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