Sem dúvida, um clássico

Push And Shove é um daqueles retornos que soam ainda melhor com o tempo.

2012 foi um ano que já contemplava aquela prática de retornos das bandas clássicas — e daquelas nem tão clássicas assim — que anunciavam suas voltas numa mistura de saudosismo tardio e desespero por fluxo de caixa. Nomes como Stone Roses, Beach Boys, Garbage e Velvet Revolver fizeram aparições entre álbuns e shows beneficentes, deixando alguns em euforia e outros jogando pragas na longevidade.

Enquanto o planeta conhecia “Gangnam Style” de PSY e tinha os ouvidos maltratados pelo assovio grudendo de “Whistle” do Flo Rida, Gwen Stefani e banda (como alguns aí acham bonito dizer) quebravam um hiato de 11 anos, desde o controverso Rock Steady e lançavam Push And Shove. Junto com ele, milhões de interrogações querendo saber qual seria o No Doubt que o oitavo disco traria: uma continuação do último trabalho de 2001 ou um sucessor do gigantesco Tragic Kingdown, todo embebido no ska com temperinho de “Don’t Speak”?

Bem, estávamos em 2012, então era mais barato viajar pra 2001 do que pra 1995. O mundo talvez não estivesse tão preparado pra trompetes envolventes, caixa de bateria aguda, um baixo pulsante e guitarra limpa groovada. Mas Push And Shove se vestiu do que era contemporâneo à época e costurou sua essência ao longo de 11 músicas que, se não revisitam a era de ouro do grupo, ao menos carregam seu brilho com muito mérito. Brilho este que aumenta conforme os anos avançam, daqueles que a revisitação vale mais que o deslumbre da novidade.

Quando a poeira da crítica abaixa, o volume sobe. Até mesmo nos fones de ouvido de quem teve preguiça de admitir na época, a audição desse material se regenera. “Settle Down” parece explodir mais o refrão, “Looking Hot” soa mais dançante e a faixa-título consegue entregar uma versão evoluída/experimental do som da banda, que expulsa os piores do demônios fantasiados de segunda-feira e os faz, como Bon Jovi já disse, se sentirem como sábado à noite (no sentido libidinoso da palavra).

“Easy” não é como sunday morning, mas dificilmente desagrada se começar a tocar do nada numa viagem de fim de semana para alguma cidade vizinha. Daí pra frente, temos o reggae padrão e o flerte com rock alternativo que sempre esteve nas veias de Kanal, Young e Dumont com a voz de Stefani dando aquele molho loiro com calça de cintura baixa.

No conjunto, Push And Shove era o melhor que o No Doubt poderia oferecer. E se até hoje não tivemos nada novo, é porque deixaram tudo lá mesmo.


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