
Depois da saída do baterista Bill Berry, algum tempo depois de sofrer um aneurisma cerebral durante a turnê do álbum Monster, o R.E.M. seguiu em frente como um trio e com músicos de apoio, alternando trabalhos bons e razoáveis.
Mas para uma banda como esta, que esteve no mainstream sem precisar fazer altas concessões, talvez em algum momento tenha batido o tédio. Logo após o lançamento de Accelerate, de 2008, o cantor Michael Stipe desabafou com os colegas Peter Buck (guitarras) e Mike Mills (baixo) que precisava se distanciar daquilo por um tempo, ao que Buck retrucou: “que tal para sempre?”. Soou bem para os colegas, e eles decidiram gravar um disco de despedida.
Mas não era uma despedida daquelas que se está habituado, do tipo regravar sucessos, chamar convidados e sair em turnê com um grande aparato. A ideia era deixar um álbum com canções inéditas, sem um recado claro de que era um adeus. O lançamento sequer foi anunciado como um encerramento das atividades da banda.
Tanto que a crítica não percebeu, e tratou o disco como mais um da banda, e talvez isso até tenha feito com que ele fosse visto como um trabalho mediano na discografia do R.E.M., e talvez até o seja, se o dissociarmos de seu significado. Mas os sinais estavam ali: Collapse Into Now, lançado em 2011, é o primeiro e único disco em que os integrantes aparecem na capa, e justo nela o cantor aparece acenando com a mão esquerda um adeus.
O single Überlin se junta a outras canções da banda como um de seus clássicos, indiretamente remetendo seu “hey” a outro sucesso, Drive, do aclamado Automatic For The People, mas há muitos outros momentos de brilho, desde o início com Discoverer, passando por Walk It Back, a divertida Alligator Aviator Autopilot Antimatter, com vocais de Peaches e guitarra de Lenny Kaye (que também aparece na faixa de encerramento, Blue, junto com a chefe Patti Smith) e a singela Oh My Heart, que garante espaço respeitável junto às grandes baladas do grupo. E há também a participação de Eddie Vedder nos vocais de It Happened Today.
Após o anúncio do fim da banda, Michael Stipe foi o integrante que mais levou a sério a ideia de desaparecer, limitando-se ao lançamento de pouquíssimos singles solo, geralmente ligados a campanhas beneficentes. Peter Buck seguiu o caminho contrário, lançando discos-solo e participando de diversos projetos, inclusive no Brasil, tocando em discos de Nando Reis. Mike Mills participou discretamente de alguns trabalhos, inclusive junto com Buck.
Em 2024, os quatro integrantes do R.E.M. se juntaram no palco em Athens, Georgia, terra natal da banda, para tocar Losing my Religion ao final do show de Michael Shannon e Jason Narducy, que faziam uma turnê com o repertório do disco Murmur, estreia do grupo, de 1983.
A frase que dá nome ao disco, collapse into now, algo como “colapsar no agora” é a última frase proferida por Stipe em um disco do R.E.M.
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