Master of Puppets do Metallica é o grande mestre da história do Metal

Com riffs inesquecíveis e a ambição que o gênero nunca tinha visto, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Cliff Burton lançaram o melhor disco de metal da história há exatos 40 anos.

Em 1986, eu tinha 5 anos e felizmente tinha um irmão mais velho metaleiro. Como as coisas demoravam a chegar no Brasil e o acesso era ainda mais atrasado em Brasília, fui descobrindo o Metallica quase em tempo real. O Ride The Lighting e a música Fade To Black, tocavam naquele som multi-deck que tinha em casa praticamente todo dia. Com o Master of Puppets veio uma descoberta de uma agressividade melódica que eu não tive acesso anteriormente e acho que foi justamente essa a reação do mundo inteiro com esse lançamento, há exatos 40 anos (feeling old yet?).

Não consigo achar palavras suficientes pra dizer o quanto eu amo o Master of Puppets, do Metallica. Um disco que soa como um The Best Of de uma banda que nem fazia (ainda) Hits comerciais. Um disco que prova que o Metal é capaz de ser ao mesmo tempo brutal e inteligente, técnico e emocionante, agressivo, melódico e bonito. Podem me chamar de clubista, mas o metal que o Metallica fez aqui é atemporal, genial e único.

A banda foi formada em 1981 em Los Angeles, quando o baterista dinamarquês Lars Ulrich colocou um anúncio num jornal procurando músicos para tocar covers do New Wave of British Heavy Metal. James Hetfield respondeu. O resto é história. Uma história que inclui demissões (que formaram bandas paralelas na força do ódio), acidentes e tragédias e a pedra fundamental pra maior banda de Metal do mundo. Não á pioneira, mas a maior banda em público, comercialmente bem sucedida e relevante até hoje.

Desde o começo, o Metallica veio com a obsessão por ser complexo e rápido. Que colocava a banda fora do lugar em qualquer prateleira. Eram pesados demais para o rock mainstream e sofisticados demais para o underground da velocidade do punk mais raivoso. Flutuando entre thrash metal e mais pra frente com o hard rock, o Metallica criou um som único que não envelhece. Não soa datado, não soa nostálgico.

Em 1983 veio o Kill ‘Em All, o disco de estreia. Cru, rápido, urgente, com Seek & Destroy e Whiplash já mostrando que havia algo diferente ali. Em 1984, o Ride the Lightning expandiu o vocabulário da banda. Agora havia melodia, havia profundidade, havia ambição. Para quem viveu esses dois discos, o Master of Puppets não foi uma surpresa. Era uma promessa sendo cumprida.

Cliff Burton, Kirk Hammett, Lars Ulrich e James Hetfield (Archive/Getty Images)

O disco começa com Battery, e já nos primeiros segundos você entende que está diante de algo diferente. A introdução acústica, limpa, e quase delicada, é uma armadilha pra explosão e velocidade que vem em seguida. E aí vem o grande hino do metal Master of Puppets, a faixa-título. Oito minutos e trinta e cinco segundos que começa no ataque, cai num interlúdio melódico de um dueto de solo quase erudito e volta com força redobrada. É uma sinfonia do metal. Se Tchaikovsky tivesse guitarra e bateria, certamente soaria como Master of Puppets.

The Thing That Should Not Be, melhor música da banda pra mim, é pesada de um jeito diferente, hipnótica, como se o riff fosse um ser vivo te puxando para o fundo. Usa a famosa afinação “em drop D”, e tem um groove mais arrastado e extremamente impactante. Em Welcome Home (Sanitarium), uma “balada” com muitas aspas, que traz delicadeza na agonia, e que explode no final um dos riffs mais emocionantes do disco.

Disposable Heroes é thrash puro, Leper Messiah vem com um groove pesado e um senso de humor irreverente. E então temos a obra chamada Orion. Uma música instrumental de oito minutos, que foi construída em grande parte pela lenda Cliff Burton (nós sentimos sua falta). A música flutua entre o pesado e o etéreo com uma naturalidade que parece quase inexplicável. Graves que cantam, guitarras que respiram, uma melodia que fica com você por dias. É um dos momentos mais bonitos que o Metallica já gravou. E o disco fecha com uma aula de Thrash Metal em Damage, Inc. Um tutorial de velocidade e dinâmica, que seria a base fundamental para o metal progressivo num futuro não tão distante de 1986.

O que faz de Master of Puppets o melhor disco de metal da história não é um único elemento. É a soma de tudo. É a bateria do Lars Ulrich (não falem mal do Lars na minha frente, sujeito a pauladas) servindo a música com uma precisão. É o Kirk Hammett criando solos que têm melodia, drama e personalidade. É o James Hetfield como compositor no ápice da sua criatividade. E é a lenda Cliff Burton. Sempre ele. O Deus do baixo do Metal. O baixo que não é acompanhamento. É voz, é argumento, é presença e é atitude.

Hoje, 40 anos depois, o álbum continua emocionando ouvintes de todas as idades. Em 2022, uma nova geração descobriu Master of Puppets pela série Stranger Things e foi imediatamente engolida. É um disco que deveria estar no mesmo patamar de gigantes como Sgt. Pepper’s e Dark Side of the Moon. 

Parabéns pro Master of Puppets. Quarenta anos depois, eu ainda sou sua marionete.


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