Lutando contra os dragões

Tori Amos lança novo álbum, lutando contra dragões bem conhecidos.

A esta altura, tanto em relação à longeva carreira de Tori Amos, quanto aos poucos dias de lançamento de seu décimo-oitavo disco, In Times of Dragons, é possível que ninguém se surpreenda com as alegorias que a cantora e compositora usa para difundir suas ideias.

Aliando sua habitual suavidade no canto com harmonias de piano que deixam claro que não está tudo bem, mas tudo está caminhando, Amos luta com as armas que tem contra dragões inominados, mas muito bem conhecidos: a musicista definiu o álbum como “história metafórica sobre a luta pela Democracia contra a Tirania, refletindo a atual e abominável destruição não acidental da democracia em tempo real pelos ‘Demônios Lagartos que acreditam no Ditador’ em sua usurpação da América”. Parece bem claro o recado, não?

Se podemos inferir que “usurpação da América” talvez seja uma afirmação um tanto delusional, já que a tal da América sempre foi isso aí mesmo, ao menos pode-se manter uma admiração pelo esforço narrativo da artista, que em frequentemente longas 17 faixas, construiu uma fábula coesa que mistura road trip com realismo fantástico e empoderamento feminino.

Talvez a extensão dessa estrada ao longo de seus 76 minutos prejudique um pouco a audição paciente, mas é possível ouvir o disco com algum prazer independente de seu fio condutor, especialmente em Gasoline Girls e na despojada Fanny Faudrey, até terminar com a (talvez excessivamente) dramática 23 Peaks.

Talvez a história vá caminhar de alguma forma para que este disco se torne um diagnóstico de seu tempo, mas por enquanto é (e isso não é pouco) mais um bom disco dentro do vasto catálogo de Tori Amos.

Ouça: