Normal Isn’t, novo disco do Puscifer, não é nada normal

"Normal Isn't" é uma jornada de 55 minutos de pós-punk e rock gótico/industrial que conversa com o legado do Nine Inch Nails e do "Outside" de David Bowie.

Com o acesso quase “gratuito” das músicas hoje em dia, todos os dias as pessoas se perguntam: Será que vale ouvir? Nessa questão diária das músicas infinitas que temos para ouvir, a curadoria precisa ser feita pelo bem da ciência. Vendo os lançamentos da semana, me deparei com o momento de dar play no novo disco do Puscifer chamado “Normal Isn’t”.

Eu, como bom admirador de Tool, sempre dou essa chance pra esse outro projeto do vocalista Maynard James Keenan. Não que o Puscifer me desempolgue. Os trabalhos da banda são interessantes, mas de certa forma nunca pessoalmente me pegaram.

Quando a primeira música do disco começou, logo percebi que tinha alguma coisa diferente e especial sendo transmitida dos meus fones para meus ouvidos. Os 55 minutos de álbum me levaram para uma jornada bem peculiar de pós-punk e rock gótico/industrial.

O primeiro lançamento oficial do Puscifer foi em 2003, uma colaboração com Danny Lohner, ex-integrante do Nine Inch Nails. Inicialmente Maynard James Keenan era o único integrante permanente do projeto, mas depois Mat Mitchell e Carina Round se tornaram parte completa da banda. Nesses 5 discos, nenhum realmente me fez querer falar ou escrever sobre. Até agora.

O Nine Inch Nails em The Downward Spiral de 1994, definiu o som industrial dos anos 90. Camadas de sintetizadores distorcidos, batidas eletrônicas cheias de texturas, mas sempre com melodias fortes por cima do caos. Trent Reznor criou um template do rock industrial que era ao mesmo tempo agressivo e cinematográfico.

Em 1995, David Bowie experimentou esse rock industrial em Outside, mas com seu próprio tempero particular. O disco tem uma sonoridade atmosférica e experimental, com influência de rock e jazz industrial. Embora não tenha sido diretamente influenciado pelo NIN, Trent Reznor acabou remixando “The Hearts Filthy Lesson” do Bowie e depois os dois colaboraram no single “I’m Afraid of Americans” de 1997.

Toda essa trajetória me levou pra esse novo lançamento do Puscifer. “Bad Wolf”, terceira faixa do disco, é particularmente Bowieana. É um rock etéreo com vibes goth e punk, ritmos estranhos hipnóticos e riffs ardidos e experimentais. O disco tem uma atmosfera sombria e claustrofóbica e uma teatralidade conceitual.

Nesse disco, o Puscifer está mais despojado, irreverente e orgânico. As melodias de vocal seguem ritmadas e sincopadas, coisa que Maynard está acostumado a fazer no Tool. No som, o disco traz algo digital e experimental, mas ao mesmo tempo cru e cheio de espaço, que combina um clima sombrio dando respiro pras harmonias e melodias fluírem melhor.

É fascinante como “Normal Isn’t” fecha essa jornada alimentada pelo NIN e pelo Outside do Bowie. Vindo das raízes do pós-punk que também alimentaram o rock industrial dos anos 90, mas com a maturidade e experiência de décadas fazendo música e tendo mais liberdade criativa do que no Tool.

Fui dar esse play de maneira culposa, sem intenção de gostar, e terminei o disco dando play na primeira música logo em seguida.

Aproveitem a jornada também.


Faixas

  1. Thrust
  2. Normal Isn’t
  3. Bad Wolf
  4. Self Evident
  5. A Public Stoning
  6. The Quiet Parts
  7. Mantastic
  8. Pendulum
  9. ImpetuoUs
  10. Seven One
  11. The Algorithm (Sessanta Live Mix)

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