
A cena musical talvez tenha absorvido algo do semi-hype sobre Cameron Winter e o Geese, mas não sei exatamente o quê. Talvez seja o aproveitamento de uma nova onda de cantores de voz “esquisita” (não que isso estivesse em falta).
Julian McCamman, ex-guitarrista do extinto Blood, oriundo do Brooklyn, tem essa característica, mas não só. Ela vem acompanhada em seu segundo disco, My Heart Is a Room With No Cameras in It, sob a alcunha de Victoryland, de uma inquietação mais contida do que a de Winter, mas também carrega no sentimento de inadequação que faz alguns trabalhos dignos de figurar em listas.
Tá tudo ali nas letras, que vêm acompanhadas de uma sonoridade que remete ao lo-fi pero no mucho: parte do disco foi gravada em casa por McCamman, mas finalizada no estúdio do produtor Dan Howard. É um do it yourself with a little help from my friends, se podemos definir de algum jeito.
Talvez esse processo faça com que o álbum flutue entre a sensação boa de se ouvir um trabalho bem gravado e a de sentir falta de uma banda de verdade, mas o saldo ainda parece positivo, a considerar pelos momentos catárticos e os climas mais suaves em faixas como I Got God, Blur e Arcades.
Fits, talvez o melhor momento do álbum, é guiada pelos sintetizadores e pode ser, em seus mais de seis minutos, a mais representativa daquela estética caos/calmaria que caracteriza certos trabalhos.
Citando mais uma vez nosso Cameron Winter, vou parafrasear o título da resenha do Vinícius Cabral sobre Heavy Metal: Julian McCamman também não está bem. Deve ter algum conforto em encontrar companhia no meio do caos.
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