O canto decolonial do Mawiza pede passagem

Mawiza é um grupo chileno de groove metal, com letras que versam sobre a defesa da terra e a proteção dos povos originários, promovendo uma necessária renovação no estilo.

Imagine uma banda de groove metal com letras que giram em torno da defesa do meio ambiente e do direito dos povos originários à terra. Se você disse Gojira, você não está errado (e você pode conferir este viés no Raio-X sobre o grupo feito pelo Bruno Leo), mas estamos falando de um caso ainda mais profundo e enraizado nestas questões.

Mawiza é uma banda chilena, formada por músicos de origem mapuche, o maior grupo indígena do Chile. A cultura mapuche é marcada por uma forte ligação com a terra, que historicamente era fonte de subsistência, e por tradições espirituais, sociais e culturais, embora enfrentem desafios para preservar suas tradições e direitos devido à marginalização e perda de terras.

Dito isso, é inevitável ouvir Ül, terceiro disco do grupo, lançado em julho deste ano, sem levar em conta o engajamento de suas letras, cantadas em sua língua nativa, fazendo deste disco um dos grandes lançamentos de 2025. Para tal, o grupo capricha nos riffs inspirados e nas batidas tribais, o que certamente é capaz de botar um sorriso no rosto de fãs de grupos como o já citado Gojira, do Slipknot, do Soulfly e do Sepultura da fase Chaos A.D. e Roots.

Mesmo assim, não dá pra limitar o Mawiza a esta prateleira. Boa parte da sonoridade do grupo só pode ser compreensível se entendermos o contexto que liga a origem dos integrantes com seu discurso em proteção da terra (tanto no sentido climático quanto no de seu direito de habitação).

O cantor do Gojira, Joe Duplantier, se junta ao grupo em Ti Inan Paw-Pawkan (que pode ser traduzido como “o último chamado da harpa“). Algumas das canções, como Wingkawnoam (“decolonizar“), contam com a cantora Fabiola Hidalgo na segunda voz.

Não é novidade nenhuma, para quem acompanha nosso site, a defesa que fazemos a respeito da necessidade de se olhar mais para a música feita em nossos países vizinhos. No metal, um estilo tão hermético e muitas vezes limitador, esse desafio é ainda maior e mais difícil, mas dá para garantir que o Mawiza tem condições de segurar lugar entre os grandes do estilo, vale apostar.

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