
O nome Arthur Buck, a primeira vista, parece remeter a um artista solo. Mas trata-se de um duo, formado pelo cantor e compositor Joseph Arthur e o onipresente ex-guitarrista do R.E.M., Peter Buck.
Os músicos se conheceram por volta do ano 2000, quando Arthur abriu uma série de shows para o R.E.M., e os dois encontraram alguma afinidade musical. Sem pressa, o duo lançou seu primeiro disco, homônimo, em 2018 e agora, sete anos depois, chegam ao segundo. Minimalistas, nomearam o álbum como Arthur Buck 2.
Se os primeiros acordes da faixa de abertura, Everywhere, levam o ouvinte a esperar que a voz de Michael Stipe entre com alguns versos, Joseph Arthur trata de mudar isso logo que começa a cantar, já que seu timbre e temática são totalmente diferentes do recluso cantor do R.E.M.
E apesar da assinatura inegável de Buck nas harmonias do duo, a sonoridade explora outros caminhos, inclusive porque em muitos momentos o protagonismo sonoro também é assumido por Joseph Arthur (como no solo de Not So Modern Now, por exemplo).
Em Fall in Love With Me dá até pra sacar uma referência – intencional ou não – ao Weezer, o que mostra que o álbum é um passeio por estilos. Muitos dos riffs e arpejos poderiam figurar em álbuns do R.E.M. como Monster ou até Reveal, mas não há nada de mau em ser a mesma pessoa de décadas atrás, com algum aprendizado a mais, não é mesmo?
A revista Rolling Stone, logo após o lançamento do disco, lançou uma matéria questionando se o Arthur Buck poderia ocupar o lugar que foi do R.E.M. Obviamente um clickbait até meio bobo de se fazer. Ninguém vai ocupar lugar nenhum que foi de outro artista, sobretudo no caso de um duo de músicos veteranos que nem estão buscando esse tal espaço. É apenas um disco agradável de se ouvir, e isso por si só já é o bastante.
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