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	<title>gueersh Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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		<title>A enorme interferência sônica de gueersh</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/resenha-gueersh-interferencias-na-fazendinha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Feb 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tem Que Ouvir]]></category>
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		<category><![CDATA[indie brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[interferências na fazendinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu novo álbum, "interferências na fazendinha", a banda registra em álbum a experiência enérgica, catártica e livre que marca suas apresentações ao vivo. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p class="wp-block-paragraph">Preciso primeiro me retratar. 2024 acabou, fechei minha lista dos destaques do ano e uma ausência profunda passou a me atormentar já em 2025, quando me dei conta da gafe. Trata-se do disco novo da banda <em>gueersh</em>. Não só um baita disco como, retroativamente, de longe meu disco favorito do ano passado (entre gringos e nacionais, diga-se). </p>



<p class="wp-block-paragraph">A banda dispensa apresentações, pois já as fiz <a href="https://silencionoestudio.com.br/newsletter-silencio-no-estudio-vol-195/">neste texto</a> de 2023. E o mais curioso é que, nele, eu disse que a banda ainda tinha um caminho a percorrer para captar, no estúdio, toda a energia explosiva de suas apresentações ao vivo. Pois é. Não tem mais. Gravado quase que inteiramente ao vivo, <em>interferências na fazendinha</em> mostra a banda à vontade, quebrando tudo em um estúdio no meio do mato. Mas engana-se quem pensa que o trabalho é todo formatado pela ideia de improviso ou de <em>jam</em>. Não é apenas isso, e a pedra fundamental para compreender a maluquice sonora da <em>gueersh</em> neste disco parece ser <em>Vaninha Perereca</em>, a canção central, e obra-prima do trabalho. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com longos 13 minutos e 3 movimentos, a canção aponta para a associação clara com o <em>Krautrock</em>: <em>motorik beat</em>, baixo em <em>loop</em> em cima de uma mesma linha, elementos de guitarra entrando e saindo (criando as tensões que não são nunca progressivas, mas permanentes), etc. Se formos parar pra pensar nos cânones do gênero, como <em>Krautrock</em> (canção da <em>Faust</em>) ou <em>Hallogallo</em> (da <em>Neu!</em>) é possível dizer que há até uma certa rigidez na estrutura daquilo que convencionamos chamar de <em>Krautrock</em> . Certamente, <em>Vaninha Perereca</em> tem algo disso. Mas também tem uma imprevisibilidade maior, fruto, talvez, da essência maluca mesmo (de improviso e risco) que a banda carioca abraça com muita coragem. E isso os associa a outros projetos, que andam adaptando as ideias do <em>Krautrock</em> muito bem a um contexto contemporâneo. Vocês sabem quem são, porque falo muito delas aqui (como por exemplo das chinesas <em>Fazi</em> e <em>Backspace</em>, ou da argentina <em>Winona Riders</em>). Mas não é só de <em>Vaninha</em> <em>Perereca</em> (não me canso de repetir o nome da canção, pois ele me traz um sorriso toda vez) que vive o disco. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes mesmo da experiência transcendental da canção (que é apenas a terceira faixa), <em>gueersh</em> nos agracia com uma fábrica de dissonâncias com <em>Brasileirinhe</em>. A canção oferece uma mistura inusitada entre <em>Jards Macalé</em> e <em>Primus</em> (quando era bom), lembrando também aquela maluquice de guitarras que <em>Kurt</em> nos oferece em <em>Milk It</em> (do perfeito <em>In Utero</em>), quando ele parece &#8220;catar&#8221; aleatoriamente notas de guitarra que claramente não combinam. <em>David</em> e <em>Guilherme</em>, os guitarristas, parecem fazer coisas assim o disco todo &#8211; e isso é foda. O disco ainda tem lugar pra canções mais &#8220;normais&#8221; e cantaroláveis, como <em>Djo Djo Piranha</em> e <em>Marra</em> (o single óbvio, que acabou de ganhar clipe). Mas o que sempre me chama atenção é como as maluquices se concatenam de maneira quase concretista. E isso fica claro também em algumas letras, como na da própria <em>Brasileirinhe</em>:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>&#8220;Bando de pingola bamba, bora revirar o coco ae / Para de pagar de pango / Solta o cão chupando manga&#8221;. </strong></em>Isso cantado de forma quase debochada pela vocalista e tecladista <em>Lívia</em>, é de uma potência absurda. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por falar em cão, há também o <em>Caxorrin</em> (de &#8220;<em>cabelinho punk</em>&#8221; e que &#8220;d<em>eixou todo mundo de queixo caído</em>&#8220;), que fecha o disco com chave de ouro. E que baita disco. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em letra, arranjos e performance, este talvez seja o trabalho mais livre e arriscado que veio ao mundo no rock nacional em 2024. Ou ainda, nos últimos anos, para ser bem honesto. O fato dele ainda não ter tido sua repercussão ideal (se é que terá, pois nossa crítica ainda abaixo da crítica) ainda nos impulsiona a refletir, divulgar e enaltecer o trabalho. Até porque, a <em>gueersh</em> é a banda do <em>Tempo Elástico</em>. O que é a dimensão de um ano perto do que eles andam propondo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dito tudo isso, é preciso lembrar que o <em>clima de banda</em>, tão bem captado pela gravação, provavelmente deveu-se ao clima rural em que a banda se meteu de verdade. Gravaram tudo em um estúdio caseiro (chamado <em>Emissor Estúdio</em>), em um sítio de permacultura em um interior do estado do <em>Rio de Janeiro</em> (em <em>Sana</em>, distrito de <em>Macaé</em>). As músicas foram gravadas com todo mundo tocando junto, com um time até grande: o quinteto, com participações especiais eventuais. A ficha técnica está toda lá na <a href="https://chupamanga.bandcamp.com/album/interfer-ncias-na-fazendinha">página do disco no <em>Bandcamp</em></a>, e recomendo que ouçam por lá, apoiando a banda se quiserem! </p>



<p class="wp-block-paragraph">No mais, nunca é tarde divulgar o single de <em>Marra</em>, que ganhou um videoclipe bem legal, abaixo:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="gueersh - Marra (Clipe Oficial)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/UtsNawH4bxw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">E você pode ouvir o disco onde preferir:</p>



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