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	<title>banda Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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		<title>A loucura das guitarras japonesas</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/toddle-i-dedicate-d-chord/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Cabral]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jan 2025 12:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Clássicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma obra-prima do underground japonês, comandada por Hisako Tabuchi. </p>
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<p class="wp-block-paragraph">O <em>rock underground</em> japonês é uma gaveta que não pode ser aberta impunemente. Mas eu o faço, porque não tenho muito medo do perigo. Comecei em abril do ano passado em nossa newsletter mesmo, contando a insólita e inacreditável história do grupo <em><a href="https://silencionoestudio.com.br/newsletter-silencio-no-estudio-vol-244-2/">Les Rallizes Dénudés</a></em>. Não me aprofundei ali. Afinal, a grande piração dos <em>Les Rallizes</em> é, justamente, não ter uma discografia propriamente disponível a ser explorada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais ou menos na mesma época, o <em>dedeco</em> (<em>Paira</em>) me apresentou outra banda legendária japonesa, a <em>Number Girl</em>. Essa mais &#8220;acessível&#8221; e facilmente rotulável. Qualquer <em>bio</em> que vocês encontrarem sobre a banda na internet citará as evidentes influências: <em>Pixies</em>, <em>Hüsker Dü</em>, <em>Sonic Youth</em>. Há uma parte considerável do <em>indie rock</em> japonês que se dedica a adaptações (para evitar um termo menos lisonjeiro) dos cânones norte-americanos, e a <em>Number Girl</em> talvez seja uma das mais célebres exemplares dessa tendência. A banda encontrou um caminho mais original a partir de seu terceiro disco de estúdio, o <em>Sappukei</em> (com produção do <em>David Fridmann</em>, que trabalhava à época com os <em>Flaming Lips</em>), mas suas origens remontam ao <em>rock</em> <em>alternativo</em> rápido, pesado e sujo que marca, em especial, os <em>Pixies</em> &#8211; indubitavelmente sua maior influência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas já haviam pontinhas de singularidade nos primeiros trabalhos da <em>Number</em> <em>Girl</em>. Em específico, nos sons da guitarra-solo. Se nos <em>Pixies</em> a segunda guitarra conta com detalhes muitas vezes contidos e bastante formais, em <em>Number Girl</em> a loucura toma controle. E isso se deve à genialidade de <em>Hisako</em> <em>Tabuchi</em>, sem dúvida a maior (e mais imprevisível) guitarrista que já vi tocar. Com o desmembramento inicial da <em>Number</em> <em>Girl</em> em 2002, a artista partiu para um projeto solo, onde assume vocais e guitarra. A banda se chama <em>Toddle</em>. E esse texto, mesmo que tenha se alongado muito até aqui só estabelecer o contexto, é sobre o primeiro disco do grupo, chamado<em> I Dedicate D Chord</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O disco é todo cantado em japonês, e desafia qualquer associação mais rígida com o rock alternativo americano. Com uma voz deliciosamente desafinada e guitarras erráticas ao extremo, <em>Hisako</em> abre um arsenal de canções meio <em>indie-punk</em> aparentemente inofensivas, como na sequência <em>Bakadana-World Wide Waddle-Wanderlust</em>. Há mais ali, no entanto, e que se manifesta na faixa título e, mais acintosamente, no clássico <em>Oyster</em>. Uma composição perfeita, de estrofe-refrão-ponte, e que nos apresenta tudo o que os primeiros anos dos 00s tinham para nos oferecer; os dedilhados agudíssimos (meio <em>emo</em>) da ponte; a sujeira de duas guitarras em concerto; uma letra etérea; um refrão incansável e, claro, um solo de guitarra inesquecível na segunda parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É, para mim, o melhor solo que já ouvi em uma canção, e a minha afirmação certamente desafia qualquer parâmetro técnico. Como é possível ver nas muitas apresentações ao vivo de <em>Number Girl </em>e <em>Toddle</em> espalhadas pelo <em>YouTube</em>, <em>Hisako</em> não é virtuosa. Ela apenas sabe a forma exata de tensionar as cordas e produzir ruídos que parecem se confundir com os de uma garganta humana esganiçada. No solo de <em>Oyster</em> isso está registrado para a posteridade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema com <em>Toddle</em>, assim como com tantas e tantas outras bandas &#8220;perdidas&#8221; na era das trevas que estamos vivendo, é a falta de informação disponível sobre a banda. Há alguns vídeos de <em>Hisako</em> <em>Tabuchi</em> no <em>YouTube</em>, mas a maioria deles em japonês, sem legendas. Em <a href="https://youtu.be/HayTt8clnKY?si=JDJUciplGzfY_XQx">um dos poucos legendados (em inglês)</a>, <em>Hisako</em> fala do seu <em>gear</em>, e sobre como encontrou a <em>jazzmaster</em> que toca há mais de 25 anos. Certamente <em>Hisako</em> nos oferece um enorme universo a ser explorado. E minha recomendação, veemente, é que vocês comecem por <em>I Dedicate D Chord</em>, álbum de estreia da <em>Toddle</em>, de 2005, e um dos <em>plays</em> mais obsessivos do meu catálogo desde o ano passado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ouça I Dedicate D Chord Aqui</strong></p>



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