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	<title>Arte Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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	<title>Arte Archives - Silêncio no Estúdio</title>
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		<title>O perigo de  tentar agradar</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/elis-1973/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Márcio Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 10:02:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cesar Camargo Mariano]]></category>
		<category><![CDATA[David Bowie]]></category>
		<category><![CDATA[Elis]]></category>
		<category><![CDATA[Elis Regina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A polêmica sobre o lançamento de nova mixagem sobre o álbum "Elis", de 1973, e uma reflexão sobre a obrigação da arte de agradar ao público.</p>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="320" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Elis-Regina.jpg" alt="" class="wp-image-153552741" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Elis-Regina.jpg 640w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Elis-Regina-300x150.jpg 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente voltou a circular um vídeo de David Bowie em que o artista declarava achar extremamente perigoso para um artista satisfazer as expectativas dos outros. A preocupação do cantor parece coerente ao se constatar que ele próprio odiava repetir fórmulas, e nas poucas vezes que o fez, resultou em trabalhos menos inspirados, denotando até nele próprio um cansaço a respeito da própria obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um artista morre, um pouco deste poder corre o risco de ser perdido, a cada vez que, ávida por perpetuar algum ganho, a indústria sai em busca de raspas e restos de alguma obra inacabada; O próprio Bowie acabou tendo muitas sobras de produções decartadas sendo reveladas nos últimos dez anos, sem estar por aqui para opinar a respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A polêmica mais recente diz respeito ao lançamento de uma remixagem do álbum <em>Elis</em>, realizada pelo filho da cantora, João Marcello Bôscoli com o engenheiro de som Ricardo Camera, o que causou uma <em><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/03/21/protesto-de-cesar-camargo-mariano-contra-remixagem-de-album-de-elis-regina-reacende-o-debate-sobre-os-limites-da-interferencia-na-obra-alheia.ghtml" type="link" id="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/03/21/protesto-de-cesar-camargo-mariano-contra-remixagem-de-album-de-elis-regina-reacende-o-debate-sobre-os-limites-da-interferencia-na-obra-alheia.ghtml">manifestação indignada de Cesar Camargo Mariano</a></em>, pianista, arranjador e diretor musical do álbum lançado pela cantora em 1973.</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Marcello, por sua vez (com o apoio dos irmãos Pedro Mariano e Maria Rita, filhos de César), <a href="https://billboard.com.br/joao-marcello-boscoli-criticas-remix-elis-regina/" type="link" id="https://billboard.com.br/joao-marcello-boscoli-criticas-remix-elis-regina/">rebateu as críticas do padrasto</a>, com argumentos técnicos e familiares, mas o fato é de que o disco foi alterado no sentido em que havia um plano de produção e mixagem, e por mais que se tenha descoberto trilhas de gravação que não havia no lançamento original, elas representam um acréscimo, tornando o álbum não um relançamento, mas uma nova versão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frequentemente, estes trabalhos de recuperação são oferecidos como um presente aos fãs. O que reflito aqui é: <em>arte não é prestação de serviço</em>. Pensar em refazer algo visando agradar ao público de certo modo reduz o tamanho do artista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez o <em>advento</em> (risos) da <em>Inteligência Artificial Generativa</em> tenha trazido a facilidade de transformar suposições em uma ilusão de realidade, mas a gente quer mesmo saber <em>como seria o som de um Led Zeppelin se o Jimmy Page respeitasse o campo harmônico</em> ou <em>como ficaria o Kurt Cobain cantando Legião Urbana </em>(são apenas conjecturas, por favor não se ofenda e também não peça para a IA gerar isso, querido leitor)?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento você pode me acusar de estar misturando alhos com bugalhos, mas estou na verdade radicalizando para que você seja pelo menos meio termo. Iniciativas como o <em>Let it Be Naked</em>, em que foi consertado um trabalho declaradamente mal feito no passado me parece algo muito válido (mas veja bem, antes de agradar ao público, a ideia aqui foi agradar primeiramente os próprios artistas envolvidos). O caso do disco Elis altera essa noção na medida em que um de seus responsáveis não foi consultado na realização de uma nova versão. Talvez funcionasse se o álbum fosse lançado com um nome que explicitasse o retrabalho. Mas ainda assim, seria uma prestação de serviço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma declaração recente, a viúva de David Bowie, Iman, revelou que o artista fez um disco para ela. Este álbum, segundo ela, nunca será lançado.</p>



<iframe src="https://silenciopodcast.substack.com/embed" width="100%" height="320" style="border:1px solid #EEE; background:white;" frameborder="0" scrolling="no"></iframe>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A arte precisa ser imersiva?</title>
		<link>https://silencionoestudio.com.br/a-arte-precisa-ser-imersiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Márcio Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2025 12:04:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[MIS-SP]]></category>
		<category><![CDATA[Raul Seixas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Grande parte das exposições de arte atuais oferece experiências imersivas, mas estamos realmente imergindo nas obras?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="709" src="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Foto-de-Frederico-Mendes_acervo-Kika-Seixas-1024x709.jpg" alt="" class="wp-image-153550574" srcset="https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Foto-de-Frederico-Mendes_acervo-Kika-Seixas-1024x709.jpg 1024w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Foto-de-Frederico-Mendes_acervo-Kika-Seixas-300x208.jpg 300w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Foto-de-Frederico-Mendes_acervo-Kika-Seixas-768x532.jpg 768w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Foto-de-Frederico-Mendes_acervo-Kika-Seixas-1536x1064.jpg 1536w, https://silencionoestudio.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Foto-de-Frederico-Mendes_acervo-Kika-Seixas-2048x1419.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Foto: Divulgação MIS &#8211; Frederico Mendes &#8211; acervo Kika Seixas</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente viralizou um vídeo em que uma jovem, após visitar a exposição dedicada a Andy Wahrol na <em>FAAP</em>, em São Paulo, se queixava da escassez de experiências imersivas no evento. Ainda em São Paulo, um novo local de exposições (não exatamente um museu), chamado <em>Visualfarm Gymnasium</em>, em um imóvel que já foi uma quadra de basquete, trouxe um acervo de reproduções de obras e invenções de Leonardo da Vinci, quase todas elas com alguma possibilidade de interação, inclusive uma cabine logo no início, em que o usuário é convidado a posar para uma foto, que posteriormente é manipulada com o uso de inteligência artificial para retratá-lo como um dos quadros do artista, incluindo a Mona Lisa. As fotos são enviadas para o Whatsapp do usuário alguns dias depois, para o devido compartilhamento em redes sociais, com a marca d&#8217;água da galeria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reflexão que pauta a continuidade do texto a partir daqui é: tudo precisa ser imersivo quando se trata de arte? Estamos perdendo o sentimento de contemplação? Tudo precisa ser <em>instagramável/tiktokzável</em>?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estreou no último dia 11 de julho, no <em>Museu da Imagem e do Som &#8211; MIS-SP</em>, a exposição <em><a href="https://mis-sp.org.br/exposicao/bau-do-raul/">O Baú do Raul</a></em>, dedicada à vida e obra de Raul Seixas. O acervo é impressionante, trazendo uma história muito rica de detalhes, manuscritos e objetos, mérito de Sylvio Passos, presidente do principal fã-clube do artista, o Raul Rock Club, da ex-esposa do cantor, Kika Seixas, de sua filha Vivi Seixas e certamente da equipe do MIS. Com paciência para explorar os detalhes, dá pra conhecer sobre a carreira de Raul com muita precisão histórica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição tem uma experiência imersiva: por uma módica quantia, o usuário tem a oportunidade de escolher entre quatro canções de Raul para interpretar em um palco &#8211; caracterizado ou não &#8211; , numa performance que é gravada e disponibilizada por meio da leitura de um QR Code, pronta para ser baixada e compartilhada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estive na exposição no domingo, e levei cerca de duas horas para percorrer todos os espaços, assistindo a alguns vídeos e tentando prestar atenção a todos os detalhes. Ainda assim, me parece uma experiência que exige novas visitas para captar tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É bem verdade que Raul teve, pensando bem, uma carreira um tanto errática, com alguns pontos questionáveis, como <em>Rock das Aranha</em>, mas é inegável que o mito que carrega em si ainda é gigantesco. Dito isso, é revigorante pensar que uma exposição pode até aproximar sua obra de pessoas que não o conhecem, tanto pela distância que há entre sua morte e a pouca disseminação de seus trabalhos ao longo dos anos seguintes, quanto ao próprio caráter restritivo e estereotipado que se faz de seu legado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na saída da exposição, em uma ida ao toalete, flagrei um diálogo entre jovens que nunca tinham ouvido falar de Raul Seixas. Um deles comentou &#8220;parece que ele foi daquela banda Camisa de Vênus, né?&#8221; (sim, ele estava confundindo Raul com seu último parceiro musical, Marcelo Nova). Nesse sentido, penso se a tal experiência imersiva que tanto é cobrada não precisaria começar pela própria disposição do usuário em imergir no acervo. Talvez uma maior oferta de visitas guiadas seja uma possibilidade plausível. A ver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Serviço:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Museu da Imagem e do Som </p>



<p class="wp-block-paragraph">Av. Europa, 158, Jd. Europa<br>São Paulo &#8211; SP &#8211; Brasil<br>CEP 01449-000<br>+55 (11) 2117-4777</p>



<p class="wp-block-paragraph">faleconosco@mis-sp.org.br</p>



<p class="wp-block-paragraph">Horário*<br>terças a sextas / 10h às 19h<br>sábados / 10h às 20h<br>domingos e feriados / 10h às 18h</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Permanência até 1h após o último horário</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Ingresso<br>R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Terças: ingresso gratuito, retira apenas na bilheteria física do MIS</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quarta B3: na terceira quarta-feira do mês, graças a uma parceria com a B3, a entrada também é franca.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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